quarta-feira, julho 15, 2009

CONTRARIAR O TEMPO

Morre lentamente – Pablo Neruda


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.



O meu comentário??


Sabendo que essa felicidade pode ser atraiçoada em questão de minutos...


Ou que o sonho pode ser só isso - um sonho...


Há, sim muitas maneiras de morrer....


E há quem deixe que seja o tempo a passar por ele


e não o inverso - ser ele quem comanda o tempo.


O tempo deve ser surpreendido, desafiado


e que em nós fique essa sensação,


não de o termos vencido, mas de que o contrariamos..


5 comentários:

pin gente disse...

vale?

de que vale amar-te se o não digo em beijos e afagos?
de que vale querer-te se te vejo longe e viajo no sentido oposto ao teu andar?
de que vale sonhar o teu corpo no meu se não te sussuro as minhas loucuras?
de que vale deixar ferver o sangue e as veias não vibram de paixão?
de que vale arquear o dorso se a cama me acolhe solitária?



um beijo, marta

Secreta disse...

O tempo é algo com o que temos de aprender a conviver e gerir... ora curto, ora longo...
Beijito.

tinta permanente disse...

Bela construção!...


abraços!
www.tintapermanente.com

O Profeta disse...

Ao meu querer!
Dias noites, estações esquecidas
Inventei sonhos para sonhar
Lavei mágoas, dores perdidas

Uma árvore toca as águas da lagoa
O nevoeiro faz desenhos nas cumeeiras
Um Melro negro solta um pio ao acaso
A palavra quero-te diz-se de mil maneiras


Convido-te a ver a Cor da Claridade


Doce beijo

Carla disse...

e morremos tantas vezes lentamente...quase sempre por medo de viver!
beijo e espero que a tua mãe esteja melhor