quarta-feira, julho 21, 2010

ESCASSO

Que ninguém hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor, a euforia de ter vindo ao
[mundo.
Pode ser tudo isso ou nada disso.
Mas não o afirmo.
As palavras viriam-me revelar tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.
"Intimidade" de Fernando Namora in "Mar de Sargaços"
O meu comentário???
Talvez o começo de tudo
ou o fim de tudo...
É a solidão enraizada em nós
e sobre a qual,
pouco ou nada sabemos...
Porque pensamos
que a conquistamos
com esses momentos de euforia,
que se tornam
cada vez mais escassos.
A verdade regressa...
invade-nos a certeza...
Com essa angústia
que quase nos sufoca...
Que insistimos
que não faz parte de nós....

4 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Muitas vezes é preferível não saber o quê nem o porquê das coisas, deixar o tempo fluir, sem procurar verdades porque a verdade é sempre escassa, a verdade é o que cada um quiser que ela seja...

Machado de Carlos disse...

O vazio sempre existirá, pois solitariamente viemos ao mundo e sairemos dele da mesma forma. Entretanto encontramos e deixamos rastros...

Daniel Costa disse...

Marta

Acredita que conheço pouco de Fernando Namora, mas gostei deste seu poema e continuei a achar-te à altura de comentares desta forma, qualquer poema.
Beijos

AnaMar (pseudónimo) disse...

E porque há dores e saudades que não se deixam amansar pelo tempo, te digo que a minha ausência tem a ver com as palavras que ainda não tenho para ti.
Deixo-te um abraço.