domingo, maio 15, 2011

24 HORAS

Quando já não há nada

absolutamente nada pra dizer

e cada dia te parece apenas

uma longa e inútil sequência

de vinte e quatro horas vazias



Quando uma folha de papel

é um deserto branco já sem rosto

um firmamento sem constelação

uma página nua, uma página

muda

há dois rápidos olhos que te falam

desde sempre da terra prometida



Consegues fixá-los Não tens medo?

Vê como arde súbito o seu gelo

no fundo das pupilas

e não hesites – rouba essa vertigem

ao coração da noite

porque às vezes não há outra saída

para algumas palavras que ainda podem

ser um arco uma flecha

perto do alvo que ninguém conhece

Poema de Fernando Pinto Amaral

O meu comentário???
E fala...
Grita todas essas palavras...
Sem medo...
Alguém as escutará...
E essa página não ficará em branco....
Não roubes nada à noite...
Torna-te num aliado....
E as 24 horas do dia....
Vive-as apenas......
Por ti....

4 comentários:

Silviah Carvalho disse...

Um lindo e profundo poema, parabéns.

Álvaro Lins disse...

Parece-me que "acertas" em todos os poemas que gosto!
Não vale a pena repetir-me, pois não!?
Bjo

JPD disse...

Belíssimo poema do FPA e a adequada réplica.

Concordo:
Entrega à vida e evitar as futilidades e desperdícios.
Viver intensamente

Bjs

Daniel Costa disse...

Marta

Há profundidade no poema de Fernando Pinto Amaral!
Duma maneira geral, escreves um bom poema na sequência. Desta vez porém, sem deixares de o fazer bem, optaste mais por um poema resposta mais directa.
Beijos