quinta-feira, junho 23, 2011

SEM SONHAR

Não o Sonho

Talvez sejas a breve

recordação de um sonho

de que alguém (talvez tu) acordou

(não o sonho, mas a recordação dele),

um sonho parado de que restam

apenas imagens desfeitas, pressentimentos.

Também eu não me lembro,

também eu estou preso nos meus sentidos

sem poder sair. Se pudesses ouvir,

aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,

animais acossados e perdidos

tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,

desamarraram-me de mim e agora

só me lembro pelo lado de fora.


Manuel António Pina, in "Atropelamento e Fuga"

O meu comentário???
E expulso de mim....
o que vejo e o que sinto???
 
Quem sou eu
e porque deixei de sonhar???
Não consigo olhar para dentro...
Para dentro de mim
e sei que o tempo parou algures....
 
Nesse dia em que deixei de te sonhar
e de te ouvir...
Deixei de me amar....
Não mergulho mais
na profundidade das coisas...
Da vida, de mim.....

4 comentários:

Paixão Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paixão Lima disse...

Acho que não podemos demitir-nos de sonhar. Penso que o sonho é do homem e faz parte dele. Penso, logo sonho...
Como um caleidoscópio os sonhos sucedem-se consecutivamente ao mais leve movimento. A saudade de um sonho perdido não impede de voltar a sonhar.

Álvaro Lins disse...

O sonho é a única coisa que não nos podem tirar Marta:).
Dizia assi (mais ou menos) o Fernando Pessoa.
Excelente!
Bjo

Daniel Costa disse...

Marta

A vida acaba por ser sempre sonho, nas sua várias facetas. No primeiro poema, parece-me vislumbra um acontecimento ocorrido. O segundo, o teu irá noutro sentido, numa interpretação possível com sentido.
beijos