Dizem os indígenas
que, com todas estas maquinetas,
nos roubam a alma.
Talvez seja por isso que eu desapareci,
já que foi roubada a minha alma.
E o meu corpo?
Ficou preso
neste retrato a preto e branco.
Vejam as minhas vestes pretas e pesadas.
Estes olhos grandes, igualmente negros,
numa cara estranha, fora de moda,
com a pele muito branca.
O que seguro nas mãos?
Para quem olho?
Como me chamo?
Ai, que vontade,
como eu gostava que tudo fosse diferente,
fosse eu a olhar para este retrato e,
sobre ele,
escrevesse a minha história de fantasmas.
POEMA DE MINHA AUTORIA
DIREITOS DE AUTOR RESERVADOS
POEMA DE MINHA AUTORIA
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5 comentários:
Belo poema, como sempre.
Marta, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.
Vivemos rodeados de maquinetas e concordo que muitas delas nos tiram a alma. Gostaria também que fosse diferente...se elas não existissem talvez o ser humano convivesse mais...conversasse olhos nos olhos e não aqui em frente a uma tela onde, apesar de tudo expomos um pouco da nossa alma, dos nossos sentimentos, das nossas experiências. Facilitam muito a nossa vida, estas maquinetas, mas tiram-lhe a cor...fica uma vida mais a preto e branco. Belo poema, Marta.Um beijinho e espero que tenhas uma excelente semana
Emília
Minha querida
Um poema entre o preto e branco da vida...o corpo e a alma do ser...adorei e deixo um beijinho com carinho.
Sonhadora
Direi que quase tudo o que é moderno nos rouba a alma pois não é natural... natural era deixar que o preto e branco fosse colorido e que os fantasmas estivessem distraídos vagueando por outras paragens... natural era que o corpo e a alma pudessem ser livres!
Um lindo poema ,como os outros que estive a ler. Se quiseres entrar no meu blog o link é_
http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt/
E não o que vai aí ficar,obrigada
Carla Granja
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