sexta-feira, março 02, 2012

ESTRANHA

Dizem os indígenas
que, com todas estas maquinetas,
nos roubam a alma.
Talvez seja por isso que eu desapareci,
já que foi roubada a minha alma.
E o meu corpo?
Ficou preso
neste retrato a preto e branco.
Vejam as minhas vestes pretas e pesadas.
Estes olhos grandes, igualmente negros,
numa cara estranha, fora de moda,
com a pele muito branca.
O que seguro nas mãos?
Para quem olho?
Como me chamo?
Ai, que vontade,
como eu gostava que tudo fosse diferente,
fosse eu a olhar para este retrato e,
sobre ele,
escrevesse a minha história de fantasmas.


POEMA DE MINHA AUTORIA
DIREITOS DE AUTOR RESERVADOS



 IMAGEM DA NET

5 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Belo poema, como sempre.
Marta, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Vivemos rodeados de maquinetas e concordo que muitas delas nos tiram a alma. Gostaria também que fosse diferente...se elas não existissem talvez o ser humano convivesse mais...conversasse olhos nos olhos e não aqui em frente a uma tela onde, apesar de tudo expomos um pouco da nossa alma, dos nossos sentimentos, das nossas experiências. Facilitam muito a nossa vida, estas maquinetas, mas tiram-lhe a cor...fica uma vida mais a preto e branco. Belo poema, Marta.Um beijinho e espero que tenhas uma excelente semana
Emília

Sonhadora disse...

Minha querida

Um poema entre o preto e branco da vida...o corpo e a alma do ser...adorei e deixo um beijinho com carinho.

Sonhadora

Sofá Amarelo disse...

Direi que quase tudo o que é moderno nos rouba a alma pois não é natural... natural era deixar que o preto e branco fosse colorido e que os fantasmas estivessem distraídos vagueando por outras paragens... natural era que o corpo e a alma pudessem ser livres!

Paixões e Encantos disse...

Um lindo poema ,como os outros que estive a ler. Se quiseres entrar no meu blog o link é_

http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt/

E não o que vai aí ficar,obrigada

Carla Granja