sábado, abril 26, 2014

LIBERTINA PAIXÃO


Atravesso o passadiço
e vejo-me na praia,
na praia, 
que acorda só em mim.

Dunas, canas, areia fina e limpa,
mar azul,
tão azul, tão verdadeiro...

Sempre que me sento na posição de Buda,
a mão esquerda sob a direita,
os polegares unidos,
os olhos fechados,
mantenho a respiração suave.

Fico surda aos segredos do Mundo lá fora.
Ao ciclo da vida.
Porque aqui,
neste castelo de palavras,
bêbadas de amor,
nada terminará.

Não deixo...

Ainda me olha de frente,
ainda me chama,
esse amor,
numa libertina paixão...


IMAGEM SEM AUTOR NEM TÍTULO MENCIONADO

POEMA ESCRITO EM 2009/10 SELECCIONADO EM 2014
 PELA EDITORA PASTELARIA STUDIOS 
E INCLUÍDO NA COLECTÂNEA "POESIA SEM GAVETAS III" 

5 comentários:

Sofá Amarelo disse...

A paixão deve ser sempre libertina, porque só assim é e será paixão... e o ciclo da vida segue o seu segredo num castelo de palavras onde a respiração suave não é mais que o libertar de uma paixão.

DIOGO_MAR disse...

Um palco, a transpirar amor por todos os poros, num abraço idílico, banhado num pranto com lágrimas a verterem-se na soleira de saudade e amargura longínqua!
Ó, ABOR!!!

JINHO

http://diogo-mar.blogspot.pt/

Daniel Costa disse...

Marta

O poema é lindo, encantador. Talvez se possa continuar a designar a paixão de libertina, embora nunca essa comece por aí.
Beijos

Graça Pires disse...

Marta, só em frente ao mar o pensamento viaja, assim, entre as palavras e as paixões...
Gostei imenso. Um beijo.

Ailime disse...

Boa tarde Marta, a sua poesia é tão bela, tão plena de sentimentos, que me comove tanto, tanto! Não desista do amor nem que seja construindo estes maravilhosos "castelos de palavras"! Tenha um lindo dia! Beijinhos, Ailime