segunda-feira, junho 09, 2008

O FIM

REQUIEM POR MIM - MIGUEL TORGA

Aproxima-se o fim.


E tenho pena de acabar assim,


Em vez de natureza consumada,


Ruína humana.


Inválido do corpo


E tolhido da alma.


Morto em todos os órgãos e sentidos.


Longo foi o caminho e desmedidos


Os sonhos que nele tive.


Mas ninguém vive


Contra as leis do destino.


E o destino não quis


Que eu me cumprisse como porfiei,


E caísse de pé, num desafio.


Rio feliz a ir de encontro ao mar


Desaguar,


E, em largo oceano,


eternizar


O seu esplendor torrencial de rio.




O meu comentário???



Comparar a vida a um rio...



Pedras, lodo, cheias....mas também a paz, a tranquilidade...



A viagem por entre as nossas margens....



Os sonhos ali escondidos....



As palavras escritas e ditas.....



Reinventadas....



Nesse rio que continua a correr....



A sensação de que não se fez tudo....



É universal....



Pena será que ninguém o leio como eu faço agora....



4 comentários:

Só Eu disse...

Mais uma feliz escolha de Torga.
És um rio feliz a ir de encontro ao mar... (tão lindo...)
Já não sei o que dizer...Estás o máximo!

RENARD disse...

A coragem de nos prepararmos para a nossa própria morte.
Olharmos para trás e julgarmo-nos com a mais severa das visões.
Ah, a capacidade de poder dizer: - Fui o melhor que pude! Parto de consciência traquila!
Isso sim, a definição de Nirvana.

Um grande beijinho tribal Marta

P.S.: Tomar chá consigo? Sempre!

tufa tau disse...

andei à deriva no rio
ou no mar
naveguei até de novo
me encontrar


beijo

DE-PROPOSITO disse...

Todos nós somos poetas. Por isso todos nós temos sonhos. E o natural, ao comum dos mortais, é que a maior parte dos sonhos não se concretizem. Mas nós, iremos andando, sempre na ilusão dos sonhos, até ao momento 'final'.
Fica bem.
Felicidades.
Manuel