sexta-feira, novembro 21, 2008

DECLARAR

Para ti



Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos






simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida





Mia Couto




O meu comentário???




E sinto saudades dessas palavras...

A medo não digo....



Divulgo-as na minha pele...


Deixo que se declarem...


Todas as vezes que me tocas....


6 comentários:

Bill Stein Husenbar disse...

É bom dar tudo e receber o dobro.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

tufa tau disse...

fiquei baralhada, marta
voltarei para ler com outros olhos e comentar com as mesmas mãos.
um beijo

Verdinha disse...

Foi para mim ?
Mas também foi para outros, não foi ?
Estou-te muito grata na mesma !

Beijijnhos verdinhos

Sol da meia noite disse...

É como se vivessemos em função da necessidade que temos de dar...
Porque sentimos que dar é o sentido de tudo.
E tomamos de assalto tudo o que em nós existe; mais o que está fora de nós.
E damos... E damo-nos...

Beijinho *
:-)

Delfim peixoto disse...

Gostei!!!

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Marta... Gostei do poema e comentários, L I N D O ...
Votos de boa semana... Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha