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MÃOS

Longevidade Fui envelhecendo, quase sem dar por isso. Fui, com temor e saudade, na mais secreta ausência, edificando as mansões de exílio. Num vaso de argilha guardei, até hoje, sentidamente, a raiz do aloendra, o fulgor da pedra, uma profunda alquimia, prisioneira da noite e do medo, e o teu silêncio, mãe, guardiã dos meus olhos e da sua luz. Lembro-me sempre de ti, imóvel, com um xaile branco onde floresciam os lírios da terra José Agostinho Baptista (Livro "Filho Pródigo) O meu comentário??? Envelhecer... A saudade é diferente... O que se sente é mais profundo... O espelho torna-se um inimigo.... Uma testemunha inoportuna.... O tempo arrasta-se.... Num silêncio...numa solidão dorida... Fica-se com tempo demais nas mãos... Mas as mãos ocupam-se... Enquanto há luz e vontade... Na vida....

DOLOROSAMENTE

O VERÃO Estás no verão, num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre a duna. Estás em mim, nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome pensas: teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó, sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas. És o esplendor do dia, os metais incandescentes de cada dia. Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces o ardor das maçãs, as claras noções do pecado. Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos meus anos. Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os rituais que previ. Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em ti e inclinam-se. Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima. Doce e cruel é setembro. Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca. José Agostinho Baptista O meu comentário??? Dolorosamente sedutor... Declaração, poema de amor... Dolorosamente... porque o tempo dedicado a esse amor termina... Cruel.... porque o desejo torna-se prisioneiro de si próprio... Porquê??? É-se...

PRESENTE

Mesa dos sonhos Ao lado do homem vou crescendo· Defendo-me da morte quando dou Meu corpo ao seu desejo violento E lhe devoro o corpo lentamente Mesa dos sonhos no meu corpo vivem Todas as formas e começam Todas as vidas Ao lado do homem vou crescendo E defendo-me da morte povoando de novos sonhos a vida. Alexandre O'Neill O meu comentário??? A própria vida é um sonho... Pinceladas de cor... Chuva de dor e amargura.... Em sorrisos escondidos nas lágrimas.... Num olhar atento.... À escuta do que se reflecte no silêncio.... Com a lua a dançar.... O vento a libertar-nos......... Dessa morte, inevitável.... Apenas a física.... porque os nossos sonhos estão sempre presente....

COMO PESSOAS

A meu favor Tenho o verde secreto dos teus olhos Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor O tapete que vai partir para o infinito Esta noite ou uma noite qualquer A meu favor As paredes que insultam devagar Certo refúgio acima do murmúrio Que da vida corrente teime em vir O barco escondido pela folhagem O jardim onde a aventura recomeça. Alexandre O'Neill O meu comentário??? A aventura será perder-se......... Nesse barco que parte sem destino... Discretamente.... Apenas o coração e o olhar são visíveis.... Nesses murmúrios de amor.... Em que o vento sopra sempre a nosso favor.... Porque amar é sempre um recomeço... De nós... como pessoas....

ETERNO

Há palavras que nos beijam Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O'Neill O meu comentário??? A noite é mais forte.... É o esconderijo perfeito.... Em que se perdoa tudo... Em que se está completamente sozinho.... As palavras pertencem-nos exclusivamente... Sorriem com os nossos silêncios.... Festejam os nossos abraços.... Invejam os nossos beijos.... Porque o amor é forte... tão forte como a noite.... Poderá não ser eterno.... Mas a esperança é.......

TUDO

Viagens - 2 Entre um lago e outro lago. Espelhos. Jardins suspensos. Súbitas nuvens. Ave nocturnamente. Durar. Álvaro Manuel Machado (Livro "Silêncios") O meu comentário??? Uma paz sentida.... No passeio à beira do lago.... Um espelho que reflecte.... Não só as nuvens.... A nossa alma, se olharmos com atenção.... Que reflecte tudo.... A montanha desenhada na superfície do lago... Os ramos da árvore que se inclina... Sempre num silêncio....numa paz sentida.....

NOS SENTIDOS

VIAGENS - I No silêncio a claridade regressa aos nossos dedos. Inventar o espaço de olhos fechados. Passar. Álvaro Manuel Machado (Livro "Silêncios") O meu comentário??? Continua a falar-se no silêncio... Num espaço inventado.... Em que se sente mais... Em que se revela os segredos.... Inscritos na pele.... Nos dedos que exploram.... Lentamente... Esse espaço imenso.......... que é o corpo e os sentidos.................