sexta-feira, setembro 05, 2008

PROFUNDA

ECOS DE SOLIDÃO




começaram a soprar os ecos



da solidão no âmago da minha poesia



cerrando algumas portas umas frestas



todas as janelas e uns buracos no tecto



onde ouço o cantar da aldeia distante



do poema desfeito ao sol



do meio-dia




vejo-a chegar de mansinho com as flechas



de sombreado abandono em riste



e eu defendo-me esticando o arco a mente



a luz que anda pelas galerias do chão que piso



nos olhos dos animais da terra e do ar



e penitencio-me



por toda essa poeira inacamada na alma



e ignoro-me retraio-me



triste




todos os jardins cheiram-me de súbito



a folhas molhadas de inverno



a copas de árvore alagadas de chuva esquecida



a avencas tardias a caminhos perdidos nas charnecas



e distraidamente prometo-me que irei voltar



à liça do poema sempre em movimento ao sabor



da uva ao amor pela tinta e pelo papel



por um destes dias




José António Gonçalves



O meu comentário???


Tão só...

Tão tristes as palavras....

Aguardam apenas....

Que, ao serem devolvidas pelo eco...

haja nelas alegria....
Aos olhos do poeta....
Façam sentido....
Pois que, ao abandonar o que efectivamente...
prazer lhe dá....
É efectivamente a solidão mais completa...
Mais profunda.......

5 comentários:

Francisco Castro disse...

Olá, gostei muito mesmo do seu blog e de sua abordagem.

Parabéns!

Um abraço

daniel disse...

Marta

Adorei este poema de José António Gonçalves, pela força que lhe imprimiu.
E por força, acaba por sobressair, do cunjunto onde se inclui o teu criticismo.
Sinceramente é-me sempre agradável ver o conjunto deste teu meritório trabalho.
Beijos
Daniel

Antunes Ferreira disse...

LISBOA - PORTUGAL

Olá Marta!

Tive a honra e o prazer de ter privado com a nossa Sophia. Que até me pediu, um dia, para ajudar o filhinho Miguelzinho a ser jornalista. Um emproado de apelido Sousa Tavares, filho do Francisco, o Tareco e da querida Sophia.

Que vida eu tenho vivido. Por onde tenho andado. Não renegaria, nunca, o que fiz e volto e voltarei a fazê-lo hoje e amanhã. Coisas e desabafos de «ancião» a caminho do forno crematório. Mais dia, menos dia, estou lá caído. Hahahahahahaha

Cheguei a este blogue através de outros que costumo visitar e neles postar comentários. Cheguei, vi e… gostei. Está bem feito, está comunicativo, está agradável, está bonito – e está bem escrito. Esta é uma deformação profissional de um jornalista e dizem que escritor a caminho dos 67…, mas que continua bem-disposto, alegre, piadista, gozão, e – vivo. O meu primeiro nome é Henrique – e gosto dele. Podes tratar-me assim, que eu agradeço. E, já agora, sou do Partido Socialista e fui católico – mas… curei-me…

Só uma anotaçãozinha: Durante 16 anos trabalhei no Diário de Notícias, o mais importante de Portugal, onde cheguei a Chefe da Redacção – sem motivo justificativo… pelo menos que eu desse com isso… E acabo de publicar – vejam lá para o que me deu a «provecta» idade… - o me(a)u primeiro livro de ficção «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola (1966/68) em que, bem contra vontade, infelizmente participei como oficial miliciano.

Muito prazer me darás se quiseres visitar o meu blogue e nele deixar comentários. E enviar-me colaboração. Basta um imeile / imilio (criações minhas e preciosas…) e já está. E se o quiseres divulgar a Amiga(o)s, ainda melhor. Tanto o blogue, como o imeile, tá? Muito obrigado

www.travessadoferreira.blogspot.com
ferreihenrique@gmail.com

Estou a implementar e desenvolver o projecto que tenho para o meu www.travessadoferreira.blogspot.com e que é conferir ao meu/vosso/NOSSO blogue a característica de PONTO DE ENCONTRO entre os Países fraternalmente ligados – Portugal e Brasil. E outros PALOP e etc…
Se me enviares o teu IMEILE, poderei enviar-te «coisas» que ache interessantes. Se, porém, não as quiseres, diz-me que eu paro logo. Sou muito bem-mandado (a minha mulher que o diga…) e muito obediente (cf. parênteses anterior). Abrações e queijinhos, convenientemente repartidos e distribuídos

– Desculpa por este comentário ser tão comprido e chato. Como a espada do D. Afonso Henriques…
- E, agora, uma publicidadezita, de que te peço desculpa antecipadamente. Já conheces o me(a)u «Morte na Picada» que acima menciono? Há quem diga que é muito bom. E até que é o melhor que se escreveu em Portugal sobre o tema. Dizem… Obviamente que não sou eu a dizê-lo… Só faltava… E também há quem tenha escrito que é SANGUE & SEXO… Malandrecos… Pelo sim, pelo não… compra-o. Não é um pedido, não é uma sugestão, não é um conselho. É uma ordem!.... hahahahahahahahahaha…
Depois de o leres, se, por singular acaso, tiveres gostado dele, terás de comprar muitíssimos mais exemplares. São excelentes prendas de aniversários, casamentos, divórcios, baptizados, e datas como Natais, Carnavais, Anos Novos, Páscoas, Pentecostes, vinte e cincos de Abris, cincos de Outubro, dezes de Junhos. Até para funerais. Oferecer o «Morte» na morte fica bem em qualquer velório que se preze. E, além disso, recomenda-o, publicita-o, propagandeia-o, impinge-o aos Amigos, conhecidos, desconhecidos & outros, SARL. Os euros estão tão raros e... caros...

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A editora da obra é a Via Occidentalis (occidentalis@netcabo.pt) cujo site é www.via-occidentalis.blogs.sapo.pt. Neste blogue podem ser consultados mais dados sobre o livro, cujo preço de capa é € 14,70. ATENÇÃO: Pode ser comprado pela Internet.

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NOTA IMPORTANTE: Este texto de apreciação e informação é similar em todos os casos em que o utilizo. Em muitos, com ligeiras alterações que o personalizam. Digo isto, para quem não surjam dúvidas ou suspeitas sobre a repetição em diferentes blogues. E para que ninguém se sinta ludibriado – ou ofendido… Há feitios que… Mas, sublinho, apenas o uso quando o entendo, isto é, quando gosto mesmo dos que visito. Nos outros onde também vou, se não gosto, saio sem comentários. Há muitos mais. Aqui na terrinha diz-se que «se não gostas, põe na beirinha do prato…»

Sol da meia noite disse...

Solidão que sitia...
Que fecha o cerco em torno de nós...
Que instala o abandono no nosso sentir...

Beijinho *
:-)

f@ disse...

solidão acompanhada das palavras ... que de agigantam no ar...
beijinho das nuvens