domingo, dezembro 14, 2008

ONDAS DO MAR

SONHO





Numa brisa aprazível e gostosa





um dia me perdi







pelo infinito







daquele mar imenso de açafrão







das rendas sem igual da minha terra







num zarpar constante e permanente







da bruma,







num manifesto querer de navegar







ao encontro da espuma







que mãos, todos os dias a lutar,







numa luta sublime e desigual,







entre vigílias penosas







e angústias mortais







tecem belezas feitas maresia.






E, nos bilros das mãos das rendilheiras,







cansadas já de tanto labutar







de novo me perdi pelo infinito.






E então,







nas ondas me despidos preconceitos, fugi







da bruma e do casar fiz um vestido







de renda branca urdido







por mulheres







obreiras de milagres,







que, entre os dedos







de onde pendem os bilros







contam e recontam mil segredos,







nos piques com perfume de açafrão,







e estórias de encantar







de geração atrás de geração.






E assim eu fui milagre entre milagres,







por, só de ver e ouvir as rendilheiras,







eu própria me sonhar







que era uma renda.














Poema enviado por


Isabel Cabral (do blog SLetras)





O meu comentário???



No infinito...



Nas rendas....



Conto as minhas lágrimas...



O mar rouba-me o meu amor....



A minha paz.....



Os sonhos tornam-se pesadelos.....



Passo os dias.....



Escondida por entre as rendas brancas....



Já nada me dizem....



Em nada me encantam.....



O que era perfeito.....



desapareceu......


............. nas ondas do mar.................

5 comentários:

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Marta, maravilhoso poema e comentário!... Gostei muito de ambos... Beijinhos de carinhyo e ternura,
Fernandinha

BC disse...

Obrigada Marta, acho que fiz talvez a escolha certa do poema, foi um dos últimos que escrevi para um concurso.
Gostei muito do teu comentário, expressaste bem o sentir das mulheres dos pescadores que sofrem quando os seus homens partem para o mar, e quando partem e não voltam o seu sofrimento imenso!!!!
OBRIGADA
Isabel

ematejoca disse...

O poema da Isabel já conhecia. É dum dos que mais gosto.
A Marta nao só exprime o que as mulheres dos pescadores sentem, ela entra sim na alma da poetisa e fala-nos também do seu sofrimento.

Os seus comentários, Marta, nao sao só uma análise do poema, mas sim altamente psicológicos.

Saudacoes de Düsseldorf!

daniel milagre disse...

Marta

Tive dupla satisfação, o falar-se em rendilheira e bilros. Depois achei que comentaste bem, sempre tenho curiosadade em ver com abordas o comentário.
Por fim, bilros, redilheiras, mar etc. dizem-me muito. O que talvez não saibas, é que o rendilhado das famosas rendas de bilros de Peniche, se inspira nas ondas do mar. Os pontos que pões na última linha, por associação de ideias, trouxeram-me isso à lembraça.
Beijinhos,
Daniel

Entre "aspas" disse...

Um poema revelador da dor e da mágoa de quem vê partir ao rasgar as águas do oceano á procura do ganha pão de cada dia.
As rendas que simbolizam a tradiçao penicheira,uma simbiose perfeita.
Bjs Zita