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COMPLICADA

Mário Benedetti (Uruguai) – Bem-Vinda Ocorre-me que vais chegar distinta Não exactamente mais linda Nem mais forte Nem mais dócil Nem mais cauta Somente que vais chegar distinta Como se esta temporada de não me veres Te tivesse surpreendido a ti também Talvez porque sabes como te penso e te enumero Achei curioso este poema, pois está inserido num livro dedicado só a poemas sobre mulheres. Mulheres! Palavra sempre nos lábios de quem nos faz a corte, nos desdenha ou simplesmente brinca connosco ! Seremos assim tão complicadas como eles dizem, não sei se por brincadeira? Eu não me acho nada complicada - indecisa, talvez, mas nunca complicada! Temos um papel, por vezes ingrato, mas alguém tem que desempenhar o papel de advogado do diabo !

BELEZA E PAIXÃO

SOPHIA DE MELLO BREYNER – Livro “A Musa” ONDAS Onde – ondas – mais belos cavalos Do que estas ondas que vós sois? Onde mais bela curva do pescoço Onde mais bela crina sacudida Ou impetuoso arfar no mar imenso Onde tão ébrio amor em vasta praia? Novamente o mar, as ondas que ela compara a cavalos. Um quadro fácil de pintar, ilustra o que deve ser a nossa vida Cavalo - simbolo de liberdade, de paixão, de beleza, de força!

ESTRELA DO MAR

OS AMIGOS - SOPHIA DE MELLO BREYNER – Livro “A Musa” Voltar ali onde a verde rebentação da vaga A espuma o nevoeiro o horizonte a praia Guardam intacta impetuosa Juventude antiga – Mas como sem os amigos Sem a partilha o abraço a comunhão Respirar o cheiro a alga da maresia E colher a estrela do mar em minha mão Creio que a estela do mar se torna mais preciosa, porque é um tributo a um amigo, que já não está cá! Quem sabe se não ele não se terá transformado nessa estrela do mar? Quem sabe se não é ele a espuma do mar, a vaga que "esmaga" a areia e afunda os nossos pés?

NADA A DIZER

SE EU FOSSE APENAS Se eu fosse apenas uma rosa Com que prazer me desfolhava Já que a vida é tão dolorosa E não te sei dizer mais nada CECÍLIA MEIRELES Infelizmente, não somos rosas, não duramos apenas um momento; duramos muito mais e é por isso, que a vida se torna dolorosa! Às vezes, vivemos mais do que devemos e tornamo-nos um "fardo", a quem, por vezes, ninguém liga! Por isso, realmente não há mais nada a dizer!

O MEU MONÓLOGO

CECÍLIA MEIRELES " MONÓLOGO Para onde vão minhas palavras Se já não me escutas? Para onde iriam quando me escutavas? E quando me escutaste? – Nunca " É a pergunta que faço. Muitas vezes! As pessoas tem a mania de interromper, de não deixarem que se exponha a ideia! Antes, fica calada e os outros convenciam-se que tinham ganho a partida. Contudo, um dia disse, calma, mas firme "Deixas-me acabar? Eu ainda não disse tudo!" Não sei se venci; mas ainda hoje, tenho aquela impressão de que não me estão a escutar! É muito mais fácil dialogar com o nosso próprio ser, embora nem sempre seja saudável!

COM O MAR

SOPHIA DE MELLO BREYNER DIA DO MAR A minha esperança mora No vento e nas sereias – É o azul fantástico da aurora E o lírio da areia Escolhi novamente um poema sobre o mar, pois tal como para Sophia de Mello Breyner o mar significa tudo para mim. Por isso, gostaria que me enviassem os poemas ou textos dos vossos autores favoritos para eu publicar aqui, com o vosso nome e endereço do blog . O mar........é o meu confessor, o meu amigo silencioso, a única coisa constante nesta minha vida atribulada . Nota: Os poemas serão publicados aqui. Os textos no meu outro blog: http://amartaeeu.blogspot.com

FALAR EM TRISTEZA

Voltei a escolher um poema de : PABLO NERUDA – CREPUSCULARIO " Fui teu, foste minha. Tu serás de quem te ame, Do que corte em teu horto aquilo que eu plantei. Eu me vou. Estou triste, mas eu estou sempre triste. Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou. ........ " Não está completo, pois apenas escrevi a parte com que me identifiquei. Dizem os outros que estou sempre triste e não nego que, às vezes não sei para onde vou! Tal como Pablo! Estes versos tanto podem falar duma mulher que ele deixou ou da Pátria que o obrigou a sair! Inclino-me mais para que seja de uma mulher, porque nunca deixamos de amar a nossa Pátria e de procurar as nossas raízes. Aqui no nosso próprio País ou algures nesse mundo! Saudade que nos mata de frio e de desgosto !