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QUASE PERFEITO

Há muito tempo já que não escrevo um poema De amor. E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! A nossa natureza Lusitana Tem essa humana Graça Feiticeira De tomar de cristal A mais sentimental E baça Bebedeira Miguel Torga - Quase um poema de amor (excerto) O meu comentário??? Uma declaração perfeita... Suave, cristalina, graciosa.... Um verdadeiro poema... Ao sentimento mais nobre.... Enche-nos o corpo - ilumina tudo... Enfeitiça-nos realmente................... Porque se sente...................................

VALER A PENA

A mim mesmo pergunto, e não atino Com o nome que dê a essa visão, Que ora amostra ora esconde o meu destino... É como uma miragem, que entrevejo, Ideal, que nasceu na solidão, Nuvem, sonho impalpável do desejo... Antero de Quental - A Ideal (excerto) O meu comentário?? Todos temos um ideal.... raramente se manifesta, se concretiza... Arranca-nos suspiros, gritos de raiva e dor contra o destino.... Contra a solidão, contra sonhos que nunca terão forma......... Apenas vivem em nós, fazem-nos sorrir.... Porque temos que ter ilusões.... sem elas.........não vale a pena.... Nem sequer olhar as nuvens..............

POR ENQUANTO

Um dia, meu amor (e talvez cedo. Que sinto estalar-me o coração!) Recordarás com dor e compaixão As ternas juras que te fiz a medo... Aparição (excerto) Antero de Quental O meu comentário?? E quem não tem medo do que sente? O coração apressado.... sensações estranhas a percorrerem o corpo... Sem saber porquê.... Sede, fome, sono....o que é isso??? Porque fico incapaz de falar, racicionar??? Quando se abre o coração................... o mundo fica diferente.... A dor...por enquanto... não vamos falar nela............

AUSÊNCIA

És tu quem me conduz, és tu quem me alumia. Para mim não desponta a aurora, não é dia, Se não vejo os dois sóis azuis do teu olhar. Deixei-te há pouco mais dum mês?, mês secular E nessa noite imensa, ah, digo-te a verdade, Iluminou-me sempre o luar da saudade. Guerra Junqueiro - Carta a F. (excerto) O meu comentário?? Amar com toda a alma... Sentir-se despido... Completamente envolvido na saudade, perdido na dor da ausência... Os dias são longos.... as noites ainda mais... A dor intensifica-se.... a beleza fica como que esquecida...... Mas ficará o amor mais forte????

SIGNIFICADO

Agora que as palavras secaram e se fez noite entre nós os dois, agora que ambos sabemos da irreversabilidade do tempo perdido, resta-nos este poema de amor e solidão Eduardo Pitta - Agora que as palavras secaram (Excerto) O meu comentário?? Será que é só isso que resta? A solidão? Tempo perdido? Mas amar não é tempo perdido.... É deixar envolver-se em sensações, viver em pleno.... Conhecer-se, ultrapassar fronteiras e barreiras.... É entrar na própria raiz.... Se as palavras secam.... é porque nunca encontram o verdadeiro significado.......

O BRILHO

Meu amor, diz-me o teu nome - Nome que desaprendi... Diz-me apenas o teu nome. Nada mais quero de ti. Diz-me apenas se em teus olhos Minhas lágrimas não vi, Se era noite nos teus olhos, Só porque passei por ti! Pedro Homem de Melo - Fonte (excerto) O meu comentário?? Quem já esqueceu o nosso nome.... esqueceu-se completamente de nós... Quem somos, o que significamos um para o outro, a razão de estar presentes... Somos realmente a noite.... O brilho nos olhos morre; esquecidos, apagados... Apenas a dor e as lágrimas ficam... O brilho não será igual.....

VERÃO

Fácil, tão fácil Como um espasmo, Pondo os teus dedos Na minha face, Nem sei se és água Ou se o meu sangue. É que incendeias, Abrindo todas As minhas veias.... Pedro Homem de Melo - Chuva de Verão O meu comentário?? Comparar o amor à chuva de Verão? Pode ser um amor que murche com o Outono... Uma lembrança no Inverno com uma certa saudade... Pelo calor, pela beleza que é sentir-se leve no corpo, na alma.... Sentir-se no topo do Mundo e deixar que a chuva registe tudo isso.... Porque o tempo não existe....................