terça-feira, julho 08, 2008

CORES DE OUTONO

Antes de amar-te, amor, nada era meu

Vacilei pelas ruas e as coisas:

Nada contava nem tinha nome:

O mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,

Túneis habitados pela lua,

Hangares cruéis que se despediam,

Perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,

Caído, abandonado e decaído,

Tudo era inalienavelmente alheio,

Tudo era dos outros e de ninguém,

Até que tua beleza e tua pobreza

De dádivas encheram o outono.


Pablo Neruda



O meu comentário???



E encontraste o motivo para viver....



Por medo não falavas...



Através do amor, soltaste essas palavras...



Abandonadas, amordaçadas....



Espezinhadas....



E, no cinzento da alma, pintaste as cores ricas...



Desse amor que te libertou e te fez olhar em frente...............

5 comentários:

daniel disse...

Marta

Sabes, que tenho muita admiração pelo pensamento de Neruda. Sobre o teu comentário, acho-o adequado, no entando a um poeta pode ser licito, uma espécie de auto censura. Ele depende um pouco do que pensa, do tema que aborda. Depois porque o faz em determinada conjuntura política.
Daniel

Só Eu disse...

Marta.
Já te casei com Neruda, hoje vou casar-te, numa relação de bigamia, com a qualidade...
És o máximo.
Beijinhos

Pjsoueu disse...

Marta:
Olhando com ouvido de um poeta as tuas palavras, sussurro ao teu ouvido : Não vivas o medo das palavras; são ricas na tua voz.

obrigado por existires neste universo que nos aproxima. - todos que gostam da melodia das palavras pintadas de mil cores retocadas nos sentimentos-.

bjos do Pj

Sol da meia noite disse...

Muito bonito o poema... é bem verdade que o amor tudo muda. Porque amar é um estado d'alma que tudo eleva, no sentido da plenitude.

Bjs * *

Xinha disse...

Nada somos... até encontrarmos o amor... o verdadeiro amor!

Lindo poema, sempre acompanhado de um excelente coemntário!

xi-coração