domingo, julho 06, 2008

QUEM SABE?

Quero saber




Quero saber se você vem comigo




a não andar e não falar,


quero saber se ao fim alcançaremos




a incomunicação; por fim




ir com alguém a ver o ar puro,




a luz listrada do mar de cada dia




ou um objeto terrestre




e não ter nada que trocar




por fim, não introduzir mercadorias




como o faziam os colonizadores




trocando baralhinhos por silêncio.




Pago eu aqui por teu silêncio.




De acordo, eu te dou o meu






Com uma condição: não nos compreender








Pablo Neruda (Últimos Poemas)



O meu comentário???



Uma outra forma de solidão....



Está tudo dito no silêncio....



Viver as coisas como elas são...



Sem as embelezar....



Expressar o que se sente, o que nos dizem...



Apenas a companhia....



Sem troca de impressões, ideias, projectos...



Cansaço, desilusão...com a vida em si???



Quem sabe?

5 comentários:

Lyra disse...

Olá,

Chegou a atura de eu tirar umas férias :O)))

Entretanto deixei, no meu blog, um “presente” para todos os meus amigos. Espero que gostem!

Tudo de bom para ti.

Beijinhos e até breve.

;O)

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Quem sabe?
Bela poesia, na verdade mais do que isso...me fez pensar em coisas já esquecidas. Obrigada.Penso; o que seria do mundo sem os poetas?
marthacorreaonline.blogspot.com

Só Eu disse...

Mais uma belissima escolha.
Partilho integralmente a opinião do martha. O que seria do mundo sem os poetas?
Beijinhos

João Videira Santos disse...

Neruda...A palavra do poeta imenso que a ditadura não calou...

RENARD disse...

Sabes, por vezes o cansaço da incompreensão dos outros é tanta que só queremos que se calem. E nós calamo-nos também. Mas não queremos continuar sozinhos e resignamo-nos a uma companhia silenciosa mas física.
Por vezes, não muitas, o silêncio fala mais alto que as palavras... Mas é raro...

Beijinho