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IMPORTA O VENTO

Sinto Sinto que em minhas veias arde sangue, chama vermelha que vai cozendo minhas paixões no coração. Mulheres, por favor, derramai água: quando tudo se queima só as fagulhas voam ao vento. Frederico Garcia Lorca "Poemas Esparsos" O meu comentário??? Sentir-te à flor da pele... Não sei descrever... só sentir-te... Navegar na tua pele, unir-me à tua sombra... Ficar presa ao teu prazer... Vulcão, lava... Fogo... Espalha-se no meu corpo... Conduz-me ao teu... Pouco me importa o vento...

RIMAS

Incontentado Paixão sem grita, amor sem agonia, Que não oprime nem magoa o peito, Que nada mais do que possui queria, E com tão pouco vive satisfeito. Amor, que os exageros repudia, Misturado de estima e de respeito, E, tirando das mágoas alegria, Fica farto, ficando sem proveito. Viva sempre a paixão que me consome, Sem uma queixa, sem um só lamento! Arda sempre este amor que desanimas! Eu, eu tenha sempre, ao murmurar o teu nome, O coração, malgrado o sofrimento, Como um rosal desabrochado em rimas Olavo Bilac, in "Poesias" O meu comentário??? E, amar não é isso??? Rimas brancas num poema ardente... Uma viagem inesperada... Quente e frio....uma palavra... O nome...dito, murmurado... Com paixão vinda da alma e entregue ao coração... Desespero porque a hora nunca mais chega.... E, quando chega, exagera-se....

DAR TUDO

Os Amigos Os amigos amei despido de ternura fatigada; uns iam, outros vinham, a nenhum perguntava porque partia, porque ficava; era pouco o que tinha, pouco o que dava, mas também só queria partilhar a sede de alegria — por mais amarga. Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia" O meu comentário??? A minha partilha... Com o mundo onde nos sentimos completamente... Em que falamos verdadeiramente e o riso é contagiante... Não há perguntas nem explicação.... O essencial é o carinho num abraço para nos libertarmos da dor, ou encontrarmos-nos com a alegria. Dar??? Mas estamos a dar tudo.....

ESTAR PRESENTE

Bilhete para o Amigo Ausente Lembrar teus carinhos induz a ter existido um pomar intangíveis laranjas de luz laranjas que apetece roubar. Teu luar de ontem na cintura é ainda o vestido que trago seda imaterial seda pura de criança afogada no lago. Os motores que entre nós aceleram os vazios comboios do sonho das mulheres que estão à espera são o único luto que ponho. Natália Correia, in "O Vinho e a Lira" O meu comentário??? S e a tua ausência me marca... Nunca deixarás de estar presente... Não me esvazias os sonhos... . ...nem me visto de luto.. . Vivo com teu carinho, no teu riso.... Até eu própria deixar de estar presente...

FATAL

Saudade Saudade já saudade antes saudade amor de te não ver porque pressinto se sinto que te ter é não saber distância já agora e que não minto Amor de que me calo e te não digo amor já saudade já instinto Maria Teresa Horta (Livro "Poesia Reunida) O meu comentário??? O instinto que previne... O instinto que se ignora... Fatal.... no silêncio em que nos mergulha a saudade... Porque ninguém mente.... Ao acabar o amor no calor... Do dia que se derrete na noite e a torna nossa inimiga... Porque não se disse??? Regressamos ao medo e à saudade....

QUEM TU ÉS

PRESENÇA É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te. Mário Quintana O meu comentário??? Abrir a janela e conversar com o vento.... Porque sabe quem tu és... É capaz de te descrever melhor do que eu - as tuas virtudes, os teus defeitos... Porque não te amou tanto como eu.... E as saudades nada lhe dizem... Porque eu continuo presente no ciclo de vida em que ele se arrasta..

ENQUANTO ESCREVO

SAUDADE A saudade me aperta Em mim tão docemente Minha alma de engano Nesta paz aberta, Com este meu mal contente Que me causa tanto dano; Neste papel a desabafar-me... Nos teus olhos preso Esta vida que mal me atrevo Continuou a enganar-me Saudade vai-te embora, te peço Pelo menos enquanto escrevo. Frankelim Gomes Amaral (Livro "II Antologia de Poetas Lusófonos) O meu comentário??? Enquanto escrevo... Engano-me... Por entre palavras rebuscadas e que os outros não entendem.. É tudo o que a minha alma consegue dizer.. Pois sou um prisioneiro, a quem a saudade nega os direitos mais fundamentais... Ver-te, sentir-te, amar-te...